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Publicado por specter em Set 07, 2010, em Tradutor

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Resoluções do encontro de Montevidéu

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Resoluções do encontro de MontevidéuResoluções do encontro de Montevidéu

No ano de 2001, foi realizado um encontro internacional sobre a
formação de intérpretes de língua de sinais na América Latina. Este evento
foi realizado em Montevidéu, Uruguai, no período de 13 a 17 de Novembro
de 2001 com o apoio da Federação Mundial de Surdos. A seguir são
apresentadas as principais conclusões e recomendações feitas por ocasião
deste encontro:
Respeitando as características e situação de cada um dos países
participantes, conclui-se em primeiro lugar que é necessário,
principalmente:
a) Que a comunidade de pessoas surdas seja consciente da
importância de sua própria língua e dos Intérpretes profissionais.
b) Que as associações e federações de pessoas surdas sejam
fortalecidas em todos os aspectos, por si mesmas, e com o apoio
de organismos públicos e internacionais.
c) Que em todos os países se reconheça a Língua de Sinais a nível
d) Que exista reconhecimento da profissão e titulação de Intérprete
de Língua de Sinais.
e) Que exista reconhecimento da profissão e titulação de formador
de Intérpretes de Língua de Sinais.

E logo, no terreno da capacitação e formação:
Que se dê importância equivalente à Lingua de Sinais e à Lingua
Oficial do pais.
Que os programas deformação incluam um estudo sistemático de
ambas as línguas.
Que se estimule e favoreça a garantia à primeira língua.
Que se destine maior tempo à investigação lingüística com
respeito à Língua de Sinais.
Que a comunidade de pessoas surdas assuma um papel
protagônico nos processos de investigação, junto com os
especialistas.
Que exista um trabalho conjunto ente intérpretes e pessoas
surdas na formação de futuros intérpretes e de futuros
formadores de intérpretes.
A elaboração, execução e avaliação dos programas de formação
devem ser conceitualmente interculturais e interdisciplinares.
Que os centros de formação de intérpretes façam o intercâmbio
de suas metodologias e experiências, dinamicamente.
Preferivelmente as federações ou Associações deveriam, em
função de sua capacidade e interesse, liderar os cursos.
Que exista uma base de lineamentos gerais para planejar um
curso de Língua de Sinais como, por exemplo: a) objetivos; b)
conteúdos; e) tempo; d) metodologia; e) atividades; i) materiais
e recursos; g) avaliação; h) continuação e prática.
Que os quatro países que atualmente dispõem de cursos de
Língua de Sinais e de formação de intérpretes (Argentina, Brasil,
Colômbia e Uruguai) prestem seu apoio aos países que ainda não
contam com estes cursos (Bolívia, Paraguai, Chile, Equador, Peru
e Venezuela) para o qual cada um dos primeiros quatro

designará a duas pessoas: uma ouvinte e outra surda
especialistas em formação, que sirvam como formadores,
assessores e consultores dos futuros agentes multiplicadores de
cada um dos seis países. Os critérios para selecionar os agentes
multiplicadores deverão ser desenvolvidos. A Federação Mundial
de Surdos designará um especialista que será o coordenador de
todo este processo.
• Os agentes multiplicadores, com a ajuda do especialista
coordenador, contribuirão para o estabelecimento de um
programa de capacitação em Língua de Sinais e outro de
Formação de Intérpretes em cada país. Estes programas poderão
aplicar-se de forma seqüencial (primeiro um depois o outro) ou
paralelamente (ambos programas de uma vez, considerando que,
por exemplo, os intérpretes empíricos sejam os primeiros alunos
dos cursos de Formação de Intérpretes). O acompanhamento
deste processo se dará entre os quatro países e o especialista
coordenador.
• Os usuários devem conhecer o código ético pelo qual se rege a
interpretação.
• Que a Federação Mundial de Surdos continue respaldando estes
processos.

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Tradução

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

TraduçãoIntrodução
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), oficializada no Estado do
Rio Grande do Sul em 02 de janeiro de 2000, necessita ser urgentemente
regulamentada, devendo ser também reconhecida a profissão de
intérprete. Por isto, o presente documento tem por objetivo subsidiar a
discussão sobre a oficialização da profissão de intérprete e regulamentar
as atividades deste profissional.
Conceituação
1) Este regulamento diz respeito aos intérpretes da LIBRAS da
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, FENEIS-RS e
está fundamentado no Código de Ética da mesma.
2) Intérprete é o profissional capaz de possibilitar comunicação
entre Surdos e Ouvintes através da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)
para o português e vice-versa; ou entre outras línguas de sinais e
línguas orais.
3) Haverá três tipos de intérpretes: o profissional, o com atestado e
o temporário.
a) O intérprete profissional deverá ter realizado o curso de
intérprete pela FENEIS-RS e ter recebido o certificado emitido
pela mesma, que o reconhece como profissional intérprete.
b) O intérprete com atestado ainda não tem o certificado, mas é
fluente em LIBRAS e reconhecido pela FENEIS-RS como
profissional intérprete. Este atestado terá validade até o
próximo curso de intérprete promovido pela FENEIS-RS e/ou
até 1 (um) ano, podendo ser renovado.

c) Os intérpretes temporários são aqueles que atuarão em
determinadas situações, com o respaldo de um certificado
emitido pela FENEIS-RS para esta determinada situação.
Após, seu certificado não será mais válido.
4) Todo o intérprete deverá ser fluente em LIBRAS e Português
(expressão e recepção). Isto é, deverá ser capaz de traduzir ou interpretar
e de fazer versão de e para LIBRAS, de e para Português. Sugere-se que o
intérprete aprenda outras línguas (sinais e/ou orais).
Da Ética do Profissional Intérprete
5) Todo o intérprete deverá sempre usar o bom senso, de um alto
caráter moral e de ética em sua atuação profissional.
6) Uma postura Ética e profissionalmente aceita sempre quando
atuando, essa deve ser a atitude do intérprete. Isto quer dizer:
a) Ser imparcial: o quanto mais imparcial melhor. Não poderá
emitir opiniões ou comentários no que ele próprio está
interpretando, a não ser que perguntem sua opinião. O
intérprete deverá ter tão somente o cuidado de passar a
informação para LIBRAS e/ou Português. Não é ele que está
falando. Ele é apenas a ponte de ligação entre os dois lados.
b) Ser discreto em sua forma de atuar. Não mastigar chicletes
nem usar roupas e adereços que distraem os que dependem
dele não chamando a atenção para si mesmo dificultando a
interpretação.
c) Ter postura quanto ao local da atuação. Não sentar em cima
de uma mesa, ou escorar-se em parede para traduzir ou ficar
em uma posição desvantajosa para o surdo ou para o ouvinte.
Se não souber, pergunte ao surdo. Ele é nosso cliente e sua
opinião deverá sempre ser consultada.

Ser fiel tanto em LIBRAS quanto no Português, quanto ao
uso. Isto é, conhecer bem a ambas e usar a estrutura
gramatical própria de cada uma. Não criar ou inventar sinais.
Usar os sinais da comunidade surda local e perguntar se o
nivel de interpretação está bom e claro para todos.
e) Espaço: o intérprete deve providenciar as adaptações necessárias
no espaço para que a percepção visual seja adequada.
Da Comissão de Ética
7) O departamento dos intérpretes da FENEIS-RS cria uma comissão
de ética, a partir desta data, para uma constante avaliação e organização
ética do seu grupo de intérpretes.
8) Da composição: farão parte da comissão três intérpretes e um
surdo a serem sugeridos pelo grupo de intérpretes e aprovados pela
diretoria da FENEIS-RS.
9) Das atribuições: serão atribuições da comissão:
a) Todos os aspectos que venham a envolver questões de ética e
postura do profissional intérprete, bem como dos clientes surdos
e ouvintes. A mesma também será responsável em aconselhar
intérpretes a melhorarem sua postura ética e profissional ou
em coibir sua atuação, invalidando seu certificado.
b) Avaliar regularmente a atuação do intérprete, através dos próprios
surdos e ouvintes beneficiados com o seu serviço de interpretação.
c) Promover no minimo dois encontros por ano, entre intérpretes
e instrutores para intercâmbio e reciclagem.
d) Assessorar os intérpretes em aspectos legais e jurídicos
quando necessário.
10) Casos omissos ou exceções serão homologadas e decididas em
reuniões da FENEIS-RS e cumpridas a partir das mesmas.

Da Postura Ética na Hora do Contrato
11) O contrato tem dois lados: o contratante (pessoa ou entidade
que solicita o serviço de intérprete), e o contratado (a pessoa do
intérprete). O contrato poderá estar registrado (escrito) e ser assinado
por ambas as partes, ou simplesmente ser oral (contrato oral).
12) Para qualquer tipo de contrato, o pagamento será de uma hora
interpretada, no minimo, seguindo a tabela da FENEIS-RS. Se o trabalho
durar 10 minutos, o intérprete receberá UMA hora cheia.
13) Todo o intérprete, quando contratado, receberá pagamento por
seu trabalho, mas também deverá se dispor quando lhe é solicitado
trabalho voluntário. Este último diz respeito às exceções e não à regra.
14) Quando a FENEIS-RS intermediar a contratação de um
profissional intérprete, do total do pagamento será descontado 10%,
obedecendo o critério do número 11. Destes 10%, 5% será destinado para
o caixa dos intérpretes e 5% para o caixa da FENEIS-RS.
15) Todo o intérprete deverá saber o seu limite de interpretar. Se o
assunto a ser interpretado não é do conhecimento, nem da área do
intérprete, ou mesmo se o nível a ser interpretado, não corresponde ao
nível do próprio intérprete, ele deverá ter a humildade e a ética de
comunicar ao surdo/ouvinte ou de recusar o trabalho.
Este regulamento tem servido para garantir o processo de tradução e
interpretação observando-se qualidade e ética na prestação do serviço.
Os intérpretes de língua de sinais têm o dever de estabelecer um
contrato com as partes interessadas. No estado do RS, este contrato
normalmente é realizado pela própria FENEIS. Em algumas circunstâncias,
o próprio intérprete deve acordar com o cliente os termos da prestação do
serviço. Informações quanto ao tempo de tradução e interpretação, o tipo

de público, o conteúdo, a área envolvida, datas, horários e pagamento devem
ser devidamente acordadas antes da execução do serviço. A seguir
apresentar-se-á um modelo possível para o contrato do serviço:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERPRETE
De: Hilário Jardim dos Santos
Rua Pedeff, 432
Porto Alegre/RS
Fone: (xx) xxxxxxxx
E-mail: hilario@hilario.com.br
CPF: xxx xxx xxx xx
Para:____________________
Endereço:
DESCRIÇÃO DO SERVIÇO PRESTADO
Data
Horário
Atividade
Valor p/ hora
*2 horas mínimo
TOTAL
Hilário Jardim dos Santos

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Código de ética

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Código de éticaCódigo de ética

O código de ética é um instrumento que orienta o profissional
intérprete na sua atuação. A sua existência justifica-se a partir do tipo de
relação que o intérprete estabelece com as partes envolvidas na interação.
0 intérprete está para intermediar um processo interativo que envolve
determinadas intenções conversacionais e discursivas. Nestas interações,
o intérprete tem a responsabilidade pela veracidade e fidelidade das
informações. Assim, ética deve estar na essência desse profissional. A
seguir é descrito o código de ética que é parte integrante do Regimento
Interno do Departamento Nacional de Intérpretes (FENEIS).
D – Registro dos Intérpretes para Surdos – em 28-29 de janeiro de
1965, Washington, EUA) Tradução do original Interpreting for Deaf
People, Stephen (ed.) USA por Ricardo Sander. Adaptação dos
Representantes dos Estados Brasileiros – Aprovado por ocasião do II
Encontro Nacional de Intérpretes – Rio de Janeiro/RJ/Brasil – 1992.
CAPÍTULO 1 Princípios
fundamentais
Artigo 1o. São deveres fundamentais do intérprete: 1°. O intérprete deve ser
uma pessoa de alto caráter moral, honesto, consciente, confidente e de
equilibrio emocional. Ele guardará

informações confidenciais e não poderá trair confidencias, as quais foram
confiadas a ele;
2o. O intérprete deve manter uma atitude imparcial durante o
transcurso da interpretação, evitando interferências e opiniões próprias, a
menos que seja requerido pelo grupo a fazê-lo;
3o. O intérprete deve interpretar fielmente e com o melhor da sua
habilidade, sempre transmitindo o pensamento, a intenção e o espírito do
palestrante. Ele deve lembrar dos limites de sua função e não ir além de
a responsabilidade;
4°. O intérprete deve reconhecer seu próprio nível de competência e
ser prudente em aceitar tarefas, procurando assistência de outros
intérpretes e/ou profissionais, quando necessário, especialmente em
palestras técnicas;
5°. O intérprete deve adotar uma conduta adequada de se vestir,
sem adereços, mantendo a dignidade da profissão e não chamando
atenção indevida sobre si mesmo, durante o exercício da função.
CAPITULO 2 Relações
com o contratante do serviço
6°. O intérprete deve ser remunerado por serviços prestados e se
dispor a providenciar serviços de interpretação, em situações onde fundos
não são possíveis;
7°. Acordos em níveis profissionais devem ter remuneração de
acordo com a tabela de cada estado, aprovada pela FENEIS.
CAPITULO 3
Responsabilidade profissional
8°. O intérprete jamais deve encorajar pessoas surdas a buscarem
decisões legais ou outras em seu favor;
9o. O intérprete deve considerar os diversos níveis da Língua
Brasileira de Sinais bem como da Língua Portuguesa;

20°. Em casos legais, o intérprete deve informar à autoridade qual o
nível de comunicação da pessoa envolvida, informando quando a
interpretação literal não é possível e o intérprete, então terá que
parafrasear de modo claro o que está sendo dito à pessoa surda e o que
ela está dizendo à autoridade;
11º. O intérprete deve procurar manter a dignidade, o respeito e a
pureza das línguas envolvidas. Ele também deve estar pronto para
aprender e aceitar novos sinais, se isso for necessário para o
entendimento;
12°. O intérprete deve esforçar-se para reconhecer os vários tipos de
assistência ao surdo e fazer o melhor para atender as suas necessidades
particulares.
CAPITULO 4
Relações com os colegas
13°. Reconhecendo a necessidade para o seu desenvolvimento
profissional, o intérprete deve agrupar-se com colegas profissionais com o
propósito de dividir novos conhecimentos de vida e desenvolver suas
capacidades expressivas e receptivas em interpretação e tradução.
Parágrafo único. O intérprete deve esclarecer o público no que diz
respeito ao surdo sempre que possível, reconhecendo que muitos
equívocos (má informação) têm surgido devido à falta de conhecimento
do público sobre a área da surdez e a comunicação com o surdo.
Diante deste código de ética, apresentar-se-á a seguir diferentes
situações que podem ser exemplos do dia-a-dia do profissional intérprete.
Tais situações exigem um posicionamento ético do profissional intérprete.
Sugere-se que, a partir destes contextos, cada intérprete reflita, converse
com outros intérpretes e tome decisões em relação a seu posicionamento
com base nos principios éticos destacados no código de ética.

Situações gerais:

1. Você está interpretando para um cliente surdo e o entrevistador
continua dirigindo as perguntas a você ao invés de fazê-lo ao cliente.
Como você resolve esta questão?
2. Durante uma missa, a única pessoa surda cai no sono. 0 que você
deveria fazer?
3. No contexto da interpretação, a pessoa ouvinte diz: “Por favor não
traduza isto…” Qual é a atitude mais apropriada nesta situação?
4. Quando perguntado sobre um trabalho de interpretação ocorrido,
como você deveria proceder?
5. Se um amigo ou parente de um cliente pergunta a você sobre detalhes
de uma situação em que você interpretou, qual seria a postura
apropriada diante deste fato?
6. Se um intérprete devidamente cadastrado fala sobre uma confidência,
o que a pessoa surda envolvida poderia fazer?
7. Se durante um serviço de interpretação lhe perguntam alguma
informação particular sobre o seu cliente, o que você deveria fazer?
8. Se a mãe da pessoa surda lhe pergunta alguma coisa sobre o serviço de
interpretação, como você deveria proceder?
9. Você interpretou a “fala” de uma pessoa surda – da língua de sinais
para o português – em juízo. Mais tarde você se dá conta de ter
confundido alguma informação dada pelo surdo. O que você deveria
fazer neste contexto?
10. Um cliente surdo sai da sala para fazer um intervalo. Quando ele
retorna pergunta a você o que foi dito durante a sua ausência. Qual
seria a resposta apropriada?
11. Quando você estiver no seu intervalo e a pessoa surda lhe pedir para
interpretar, o que você deve dizer?
12. Se o palestrante surdo fizer comentários específicos a seu respeito
enquanto intérprete que não sejam verdadeiros, qual seria a forma
apropriada de agir nesta situação?
13. Você é o único intérprete em uma situação ou evento. Depois de um
determinado período, você se sente extremamente cansado. O que
você deveria fazer?
14. Você é o único intérprete em uma sala em que várias pessoas estão
fumando. Há várias pessoas surdas presentes, mas chega a um ponto
que você já não suporta mais o cheiro de fumaça. 0 que você deveria
fazer?
15. Você está no seu intervalo enquanto seu colega está interpretando. As
pessoas surdas lhe dizem que querem apenas você como intérprete.
Qual seria a forma apropriada de agir nesta situação?
16. Uma empresa lhe contrata para traduzir da língua de sinais para o
português para uma pessoa surda. Quando você chega ao local, a
pessoa surda lhe comunica que irá falar e que não precisa de
intérprete. O que você deveria fazer?
17. Quando interpretando em sala de aula, o professor lhe pede para não
interpretar mais, pois considera possível que você esteja discutindo
sobre as respostas das questões da prova. Como você deveria
proceder?
18. Um pessoa surda lhe diz que não pode pagar por seus serviços e que
precisa muito de seu serviço. Qual seria a solução para este problema?
19. Se for necessário interpretar um sinal que não seja conhecido pela
audiência, como você o introduziria?
20. Se uma empresa/instituição contrata o seu serviço e depois nega-se a
pagá-lo porque a pessoa surda não compareceu, o que você deve
fazer?
21. Seria aceitável o intérprete abandonar a interpretação ao saber que
não será remunerado pelo seu trabalho?
22. Se o médico começa a discutir em particular com um colega sobre o
caso de seu cliente surdo, o que você deveria fazer?
23. Enquanto você interpreta da língua de sinais para o português,
ocasionalmente o seu cliente surdo usa a fala, o que você deveria
fazer?
24. Se você não sabe o que fazer em determinado contexto de
interpretação, seria apropriado pedir conselho a um colega intérprete
para resolver a situação?
25. Seria violar o código de ética se um intérprete compartilha
experiências de interpretação em um seminário de intérpretes?
26. Você pode ser requisitado pelo juiz a depor em juízo sobre
informações obtidas durante interpretações particulares?
27. Você pode discutir sobre interpretações realizadas que foram
públicas?
28. Se a pessoa surda lhe pede para informar a sua família sobre o que
aconteceu em uma interpretação, isso seria permitido?
29. Pode um intérprete servir de advogado para um cliente surdo?
30. Um intérprete pode interagir com pessoas surdas durante uma
festa?
31. Idealmente, deveria ter um intérprete para cada palestrante, mesmo
se o evento compreenda menos de uma hora?
32. Em uma interpretação individual se você não entender a pessoa surda,
o que você deveria fazer?
33. Se o palestrante está falando muito rápido, o que o intérprete
deveria fazer?
34. 0 intérprete pode inventar novos sinais durante uma interpretação?
35. 0 que o intérprete deve fazer diante de uma expressão idiomática ou
uma metáfora?
36. Quando interpretando para uma grande audiência surda, qual o nível
de língua de sinais o intérprete deveria usar?
37. 0 que você deveria discutir com a pessoa surda antes de uma
interpretação?
38. Em uma situação clínica, o cliente surdo usa sinais sexuais que
poderiam ser traduzidos de diferentes maneiras. Quais opções você
elege? Por quê?
39. Se o médico lhe pede para sair da sala para examinar o paciente surdo
para quem você interpreta, o que você faz?
40. Em uma interpretação individual, se o telefone da pessoa ouvinte
toca, você traduz a conversação?
41. Depois de uma consulta ao oftamologista, o paciente surdo pergunta
a você se recomenda um local para que ele compre seus óculos. 0 que
você faria?
42. Se um ouvinte usa o termo “surdo-mudo”, como você deveria
interpretá-lo?
43. Você interpretou um programa na televisão. Depois de uma semana,
uma pessoa surda pede a você para recapitular o programa. 0 que você
faria?
44. Depois de uma consulta, o médico conclui que o paciente tem AIDS.
0 médico solicita o nome de seu parceiro e o paciente surdo recusa-se
a dar. Você sabe o seu nome e sente-se na obrigação de informar.
0 que você faria?
45. Você está interpretando para um surdo em um consultório médico.
0 médico pergunta se o paciente está tomando a medicação
recomendada. 0 paciente responde que sim. Depois, o paciente
lhe informa que não está tomando a medicação porque sente muito
sono quando a toma. Você fica preocupado porque o uso da
medicação de forma apropriada pode ser um caso de vida e morte.
0 que você faria?
46. Você é contratada pelo SINE para interpretar uma entrevista para
um emprego. Depois que o empregador explica o que compreende
a função a pessoa surda responde “Eu não quero esta porcaria de
emprego!” 0 que você faria? Você retorna ao SINE e a pessoa surda
mente sobre o que foi dito. Qual o seria o seu procedimento?
47. Você é questionado por requerer duas horas de interpretação em um
serviço que leva apenas 15 minutos. Qual é a sua explicação?
48. Uma pessoa ouvinte fica fascinada com sua interpretação e durante o
intervalo lhe pergunta quanto que você está recebendo pela sua
função. O que você responde?
49. A polícia telefona para você solicitando o seu serviço de interpretação
para um surdo que cometeu um crime. Você lhes informa a respeito do
valor do seu trabalho e a polícia comunica que não pode autorizar o
seu pagamento, mas que você deve comparecer de qualquer forma. 0
que você faz?
50. Quando interpretando em uma reunião com mais de um surdo, como a
sala deveria ser organizada? Onde você deveria sentar? Suponhamos
que o coordenador da reunião seja surdo. Onde você deveria se
posicionar?
51. Quando você não tem certeza quanto ao tipo de situação em que você
irá atuar, como você deverá se vestir?
52. Quando interpretando para um grupo de pessoas surdas ou para
apenas uma pessoa surda, para onde o intérprete deve olhar?
53. Se o intérprete não estiver vestido de forma apropriada para um
serviço, mesmo assim ele deveria interpretar?
54. Como a pele da pessoa interfere nas roupas que o intérprete
vestirá?
55. Quando interpretando em um encontro, as luzes são apagadas e
um filme é passado. Você não foi informado que isto aconteceria.
Como você procede nesta situação?
56. A associação de surdos lhe convidou para interpretar uma peça de
teatro. O que você deverá verificar quanto às condições do local para
realizar este trabalho?
Situações específicas da área da educação:
57. Um aluno surdo universitário pede a você para fazer anotações
quando ele não estiver presente na aula, uma vez que você será
remunerado de qualquer forma. Qual seria a forma apropriada de
proceder?
58. Um professor tem o hábito de caminhar pela classe. O que você deve
fazer?
59. Se a sala tem janelas, onde o intérprete deve se sentar?
60. Você é um dos dois intérpretes contratados para uma conferência em
educação. O outro intérprete aparece vestindo uma roupa não
apropriada para a ocasião. O que você faria?
61. Como você procederia se os alunos se negassem a remeter perguntas
ao professor?
62. Como você procederia se os alunos o elegesse como referência no
processo de ensino-aprendizagem?
63. O que você deveria fazer se você fosse intérprete de uma criança surda
em uma escola regular de ensino e ela lhe dirigisse perguntas a
respeito dos sinais utilizados durante a sua interpretação?
64. Qual a tua atitude diante do fato de ser intérprete de uma criança
surda em uma escola regular de ensino perante o professor?
65. Quais as funções que você assumiria diante do contexto de sala de
aula em que a criança surda elege o intérprete como referência do seu
processo de ensino-aprendizagem?
66. O que você faria se o professor insistisse em fazer referências visuais
concomitantes com a fala impossibilitando o acompanhamento do
aluno surdo em uma escola regular?
67. Como você deveria proceder diante da complexidade dos conteúdos
desenvolvidos nas escolas regulares de ensino em diferentes niveis de
escolarização?
68. 0 que você deveria fazer ao perceber que o professor está delegando a
você a responsabilidade de passar o conteúdo desenvolvido em sala de
aula?
69. Quais as implicações da presença de um intérprete de língua de sinais
no ensino fundamental em que as crianças normalmente tomam como
referência e modelo o professor?
70. Como você pode colaborar com o design e estruturação do espaço em
sala de aula para um melhor aproveitamento do aluno surdo das aulas
ministradas pelo professor?
71. O que você faz se o surdo está envergonhado e não quer se sentar na
posição que seria mais adequado para a sua participação no processo
de ensino-aprendizagem?
72. O que você faz se o surdo lhe pergunta algo durante a interpretação e
você avisa que irá remeter a pergunta ao professor e o surdo lhe diz ”
- Não, não precisa perguntar”, percebendo que o aluno está
envergonhado de fazer a pergunta ao professor diante dos demais
colegas?
73. O que fazer quando o professor titular não dominar o conteúdo ou não
tiver compromisso com o processo de ensino aprendizagem?
74. O “professor-intérprete” pode interferir com comentários a respeito
do assunto durante as aulas?
75. O “professor-intérprete” deve participar de todas as reuniões da
escola?

Poder-se-ia continuar estas questões indefinidamente, uma vez que o
intérprete sempre está diante de situações completamente inusitadas a
todo instante. As situações levantadas são apenas possibilidades e podem
jamais vir a acontecer na sua atuação enquanto intérprete de língua de
sinais. No entanto, quanto mais você pensa e reflete sobre todas as
situações possíveis, mais você estará preparado para tomar uma decisão e
uma postura ética diante de um contexto novo. Assim, convidamos vocês a
refletirem sobre cada uma dessas questões e a elaborarem propostas para
que sejam encaminhados através do MEC a outros colegas de outras escolas
e estados.
A exemplo disso, segue-se a reflexão sobre a seguinte questão:
Como se portar diante do contexto de interpretação da língua
portuguesa escrita no momento de provas e concursos?
Sugere-se que se faça a tradução do português escrito para a língua
de sinais de todas as questões da prova. 0 intérprete também deverá
fazer a interpretação das instruções dadas na língua portuguesa falada
e/ou escritas quando estes forem os casos. Durante a prova, o candidato
pode dirigir questões relativas exclusivamente à língua portuguesa:
significado, estrutura e vocabulário. Se por acaso, o candidato sugerir
alguma escolha pessoal e solicitar a confirmação seja ela através do olhar,
o intérprete deve lhe informar que apenas fará a tradução do português
para a língua de sinais deixando claro as suas atribuições durante o
processo. Em relação ao processo de seleção, o intérprete deve informar
aos monitores e responsáveis qual a sua função e como se procederá a
interpretação durante a execução das provas e do concurso de modo a
garantir a acessibilidade.

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Alguns mitos sobre o profissional intérprete

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Alguns mitos sobre o profissional intérpreteAlguns mitos sobre o profissional intérprete

Professores de surdos são intérpretes de língua de sinais
Não é verdade que professores de surdos sejam necessariamente
intérpretes de língua de sinais. Na verdade, os professores são professores
e os intérpretes são intérpretes. Cada profissional desempenha sua função
e papel que se diferenciam imensamente. 0 professor de surdos deve saber
e utilizar muito bem a língua de sinais, mas isso não implica ser intérprete
de língua de sinais. 0 professor tem o papel fundamental associado ao
ensino e, portanto, completamente inserido no processo interativo social,
cultural e lingüístico. 0 intérprete, por outro lado, é o mediador entre
pessoas que não dominam a mesma língua abstendo-se, na medida do
possível, de interferir no processo comunicativo.
As pessoas ouvintes que dominam a língua de sinais são intérpretes
Não é verdade que dominar a língua de sinais seja suficiente para a
pessoa exercer a profissão de intérprete de língua de sinais. 0 intérprete de
língua de sinais é um profissional que deve ter qualificação específica para
atuar como intérprete. Muitas pessoas que dominam a língua de sinais não
querem e nem almejam atuar como intérpretes de língua de sinais.
Também, há muitas pessoas que são fluentes na língua de sinais, mas não
têm habilidade para serem intérpretes.
Os filhos de pais surdos são intérpretes de língua de sinais
Não é verdade que o fato de ser filho de pais surdos seja suficiente
para garantir que o mesmo seja considerado intérprete de língua de
sinais. Normalmente os filhos de pais surdos intermediam as relações
entre os seus pais e as outras pessoas, mas desconhecem técnicas,
estratégias e processos de tradução e interpretação, pois não possuem
qualificação específica para isso. Os filhos fazem isso por serem filhos e
não por serem intérpretes de língua de sinais. Alguns filhos de pais surdos
se dedicam a profissão de intérprete e possuem a vantagem de ser nativos
em ambas as línguas. Isso, no entanto, não garante que sejam bons
profissionais intérpretes. 0 que garante a alguém ser um bom profissional
intérprete é, além do domínio das duas línguas envolvidas nas interações,
o profissionalismo, ou seja, busca de qualificação permanente e
observância do código de ética. Os filhos de pais surdos que atuam como
intérprete têm a possibilidade de discutir sobre a sua atuação enquanto
profissional intérprete na associação internacional de filhos de pais surdos.

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Quem é intérprete úe lingua de sinais?

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

tradutorÉ o profissional que domina a língua de sinais e a língua falada do
país e que é qualificado para desempenhar a função de intérprete. No
Brasil, o intérprete deve dominar a língua brasileira de sinais e língua
portuguesa. Ele também pode dominar outras línguas, como o inglês, o
espanhol, a língua de sinais americana e fazer a interpretação para a
língua brasileira de sinais ou vice-versa (por exemplo, conferências
internacionais). Além do domínio das línguas envolvidas no processo de
tradução e interpretação, o profissional precisa ter qualificação específica
para atuar como tal. Isso significa ter domínio dos processos, dos modelos,
das estratégias e técnicas de tradução e interpretação. 0 profissional
intérprete também deve ter formação específica na área de sua atuação
(por exemplo, a área da educação).

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O que envolve o ato de Interpretar?

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Tradutor Inglês PortuguêsEnvolve um ato COGNITIVO-LINGÜÍSTICO, ou seja, é um processo em
que o intérprete estará diante de pessoas que apresentam intenções
comunicativas específicas e que utilizam línguas diferentes. O intérprete
está completamente envolvido na interação comunicativa (social e
cultural) com poder completo para influenciar o objeto e o produto da
interpretação. Ele processa a informação dada na língua fonte e faz
escolhas lexicais, estruturais, semânticas e pragmáticas na língua alvo que
devem se aproximar o mais apropriadamente possível da informação dada
na língua fonte. Assim sendo, o intérprete também precisa ter
conhecimento técnico para que suas escolhas sejam apropriadas
tecnicamente. Portanto, o ato de interpretar envolve processos altamente
complexos.

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Tradutor on-line

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Tradutor Inglês PortuguêsFigura 1: AZAR – DESCULPAS
Na língua de sinais, também se podem analisar as unidades mínimas
através de pares mínimos, ou seja, pares que apresentam apenas uma
unidade que implica em mudança de significado apresentando, portanto,
uma determinada função fonológica na língua. PEDRA e QUEIJO formam
um par mínimo na língua brasileira de sinais em que a única unidade que
difere nestes sinais é a configuração de mão, o movimento e o ponto de
articulação são os mesmos (ver figura 2):
Figura 2: PEDRA e QUEIJO
Os sinais são feitos em um espaço delimitado à frente do sinalizador.
Ferreira-Brito e Langevin (primeiro apresentado em 1988, e posterior-
mente publicado em Ferreira-Brito,1995) descreveram esse espaço na
lingua brasileira de sinais como ilustrado na figura 3.

Figura 3: Espaço de sinalização
(Quadros, 1997 baseado em Langevin & Ferreira Brito, 1988:01)
A morfologia e, especialmente, a sintaxe dessa língua parecem
também ser organizadas nesse espaço. Portanto, a formação das palavras e
das frases na língua brasileira de sinais apresentam restrições espaciais. A
morfologia e a sintaxe das línguas de sinais determinam a estrutura
interna das palavras e das frases que reflete o sistema computacional da
linguagem.
Por exemplo, o verbo DIZER na língua brasileira de sinais tem que
concordar com o sujeito e o objeto indireto da frase. Como você pode
observar na figura (3), há uma relação entre pontos estabelecidos no
espaço e os argumentos que estão incorporados no verbo. Esse é um tipo
de flexão próprio das línguas de sinais, como observado na língua de sinais
americana e na língua brasileira de sinais, para verbos que são chamados
verbos de concordância (cf. Loew, 1980; o Lillo-Martin, 1986; Padden,
1990; Emmorey, 1991; Quadros, 1995, 1997).

Figura 3: Verbo DIZER na língua brasileira de sinais
com diferentes flexões
a) DIZER (forma infinitiva)
b) aDIZERb
Ele disse a mim.
c) cDIZERa
d) bDIZER cde
Tu disseste a ele.
Eu disse a vocês.
(Quadros, 1997:61)
Na língua brasileira de sinais, os sinalizadores estabelecem os
referentes associados com uma localização no espaço. Tais referentes
podem estar fisicamente presentes ou não. Depois de serem introduzidos
no espaço, os pontos especificos podem ser referidos ao longo do discurso.
Quando os referentes estão presentes, os pontos no espaço são
estabelecidos baseados na posição real ocupada pelo referente. Por

exemplo, o sinalizador aponta para si para indicar a primeira pessoa, para
o interlocutor para indicar a segunda pessoa e para os outros para terceira
pessoa (cf. a figura 4). Quando os referentes estão ausentes do discurso,
são estabelecidos pontos abstratos no espaço (cf. figura 5).
Figura 4: Referência com referentes presentes
(Quadros, 1997:51 adaptado de Lillo-Martin e Klima, 1990:192)
Figura 5: Referência com referentes ausentes
(Quadros, 1997:52 adaptado de Lillo-Martin e Klima, 1990:193)
Os sinais manuais são freqüentemente acompanhados por expressões
faciais que podem ser consideradas gramaticais (para mais detalhes
ver Bahan, 1995 e Quadros, 1999). Tais expressões são chamadas de
marcações não-manuais.
Apesar da sucinta apresentação de alguns estudos das línguas de
sinais, os mecanismos espaciais e faciais aqui ilustrados refletem a
existência de uma estrutura complexa. Os estudos das línguas de sinais
indicam que tais línguas são altamente restringidas por princípios gerais
que restringem as línguas humanas. Portanto, as línguas de sinais como a
língua brasileira de sinais são apenas mais uma instância das línguas que
expressam a capacidade humana para a linguagem.

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Tradutores

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

tradutoresOuvintes – O termo ‘ouvinte’ refere a todos aqueles que não
compartilham as experiências visuais enquanto surdos.
Surdez – A surdez consubstancia experiências visuais do mundo. Do
ponto de vista clínico comumente se caracteriza a surdez pela diminuição
da acuidade e percepção auditivas que dificulta a aquisição da linguagem
oral de forma natural.
Surdos – São as pessoas que se identificam enquanto surdas. Surdo é o
sujeito que apreende o mundo por meio de experiências visuais e tem o
direito e a possibilidade de apropriar-se da língua brasileira de sinais e da
língua portuguesa, de modo a propiciar seu pleno desenvolvimento e
garantir o trânsito em diferentes contextos sociais e culturais. A
identificação dos surdos situa-se culturalmente dentro das experiências
visuais. Entende-se cultura surda como a identidade cultural de um
grupo de surdos que se define enquanto grupo diferente de outros grupos.
Essa cultura é multifacetada, mas apresenta características que são
específicas, ela é visual, ela traduz-se de forma visual. As formas de
organizar o pensamento e a linguagem transcendem as formas
ouvintes.
Surdo-cego – Uma definição funcional refere ao surdo-cego como
aquele que tem uma perda substancial da visão e da audição, de tal modo
que a combinação das suas deficiências cause extrema dificuldade na
conquista de habilidades educacionais, vocacionais, de lazer e sociais. A
palavra chave nesta definição é COMUNICAÇÃO. (…) A surdez-cegueira, na
sua forma extrema, significa simplesmente que uma pessoa não pode ver,
não pode ouvir, e deve depender total e completamente do tato para se
comunicar com os outros (Dr. Richard Kinney, Presidente da Escola Hadley
para Cegos – USA). Num sentido não-clínico, são aqueles que utilizam a
língua de sinais e/ou o tadoma sendo que suas experiências se manifestam
através das experiências táteis. Pessoas que usam o tadoma colocam as
mãos nos lábios dos falantes ou nas mãos e/ou corpo do sinalizador para
“sentir” e significar a língua.

Tradutor – Pessoa que traduz de uma língua para outra. Tecnicamente,
tradução refere-se ao processo envolvendo pelo menos uma língua escrita.
Assim, tradutor é aquele que traduz um texto escrito de uma língua para a
outra.
Tradutor-intérprete – Pessoa que traduz e interpreta o que foi dito e/ ou
escrito.
Tradutor-intérprete de lingua de sinais – Pessoa que traduz e
interpreta a língua de sinais para a língua falada e vice-versa em quaisquer
modalidades que se apresentar (oral ou escrita).
Tradução-interpretação simultânea – É o processo de tradução-
interpretação de uma língua para outra que acontece simultaneamente, ou
seja, ao mesmo tempo. Isso significa que o tradutor-intérprete precisa
ouvir/ver a enunciação em uma língua (língua fonte), processá-la e passar
para a outra língua (língua alvo) no tempo da enunciação.
Tradução-interpretação consecutiva – É o processo de tradução-
interpretação de uma língua para outra que acontece de forma
consecutiva, ou seja, o tradutor-intérprete ouve/vê o enunciado em uma
língua (língua fonte), processa a informação e, posteriormente, faz a
passagem para a outra língua (língua alvo).

Lingua:

A língua brasileira de sinais é uma língua visual-espacial articulada
através das mãos, das expressões faciais e do corpo. É uma língua natural
usada pela comunidade surda brasileira. Estudos sobre essa língua foram
iniciados no Brasil pela Gladis Knak Rehfeldt (A língua de sinais do Brasil,
1981). Há também artigos e pesquisas realizadas pela Lucinda Ferreira-
Brito que foram publicadas em forma de um livro em 1995 (Por uma
gramática das línguas de sinais). Depois desses trabalhos, as pesquisas
começaram a explorar diferentes aspectos da estrutura da língua brasileira
de sinais. Vale mencionar alguns exemplos, tais como Fernandez (1990),
um trabalho de psicolingüística; Karnopp (1994) que estudou aspectos de
aquisição de fonologia por crianças surdas de pais surdos; Felipe (1993)
que propõe um tipologia de verbos em língua brasileira de sinais; os meus
trabalhos: Quadros (1995) que apresenta uma análise da distribuição dos
pronomes na língua brasileira de sinais e as repercussões desse aspecto na
aquisição da linguagem de crianças surdas de pais surdos (publicado
parcialmente em forma de livro em 1997 – Educação de surdos: a aquisição
da linguagem) e Quadros (1999) que apresenta a estrutura da língua
brasileira de sinais. Tais pesquisas associadas às atividades dirigidas pela
Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo (FENEIS) foram
responsáveis pelo reconhecimento da língua brasileira de sinais como uma
língua de fato no Brasil.

Como uma língua percebida pelos olhos, a língua brasileira de sinais
apresenta algumas peculiaridades que são normalmente pouco conhecidas
pelos profissionais. Perguntas sobre os níveis de análises, tais como, a
fonologia, a semântica, a morfologia e a sintaxe são muitos comuns, uma
vez que as línguas de sinais são expressas sem som e no espaço. Porém, as
pesquisas de várias línguas de sinais, como a língua de sinais americana e
a língua brasileira de sinais, mostraram que tais línguas são muito
complexas e apresentam todos os níveis de análises da lingüística
tradicional. A diferença básica está no canal em que tais línguas
expressam-se para estruturar a língua, um canal essencialmente visual.
Stokoe et al. (1976), Bellugi e Klima (1979), Liddell (1980), Lillo-Martin
(1986) são exemplos clássicos de pesquisas da língua de sinais americana
que trazem evidências da existência de todos os níveis de análise dessa
língua. Karnopp (1994), Quadros (1995, 1999), Ferreira-Brito (1995) e
Felipe (1993) são exemplos de pesquisas que evidenciam a complexidade
da língua brasileira de sinais.
Fonologia é compreendida como a parte da ciência lingüística que
analisa as unidades mínimas sem significado de uma língua e a sua
organização interna. Quer dizer, em qualquer língua falada, a fonologia é
organizada baseada em um número restringido de sons que podem ser
combinados em sucessões para formar uma unidade maior, ou seja, a
palavra. Nas línguas de sinais, as configurações de mãos juntamente com
as localizações em que os sinais são produzidos, os movimentos e as
direções são as unidades menores que formam as palavras. A figura 1
ilustra dois exemplos da língua brasileira de sinais. A configuração de mão
é a mesma em ambos sinais, chamada de /y/. A localização é diferente:
enquanto AZAR é sinalizado no nariz, DESCULPAS é sinalizado no queixo.
Também, o movimento é diferente, enquanto AZAR é sinalizado com um
único movimento em direção ao nariz, DESCULPAS é sinalizado com um
movimento curto e repetido em direção ao queixo.

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Tradutor

Publicado por specter em Jun 06, 2010, em Tradutor

Tradutor
Minidicionário
dos intérpretes de
língua de sinais
Intérprete – Pessoa que interpreta de uma língua (língua fonte) para
outra (língua alvo) o que foi dito.
Intérprete de língua de sinais – Pessoa que interpreta de uma dada
língua de sinais para outra língua, ou desta outra língua para uma
determinada língua de sinais.

Lingua – É um sistema de signos compartilhado por uma comunidade
lingüística comum. A fala ou os sinais são expressões de diferentes

línguas. A língua é um fato social, ou seja, um sistema coletivo de uma

determinada comunidade lingüística. A língua é a expressão lingüística
que é tecida em meio a trocas sociais, culturais e políticas. As línguas
naturais apresentam propriedades específicas da espécie humana: são
recursivas (a partir de um número reduzido de regras, produz-se um
número infinito de frases possíveis), são criativas (ou seja,
independentes de estímulo), dispõem de uma multiplicidade de funções
(função argumentativa, função poética, função conotativa, função
informativa, função persuasiva, função emotiva, etc.) e apresentam dupla
articulação (as unidades são decomponíveis e apresentam forma e
significado).
Linguagem – É utilizada num sentido mais abstrato do que língua, ou
seja, refere-se ao conhecimento interno dos falantes-ouvintes de uma
língua. Também pode ser entendida num sentido mais amplo, ou seja,
incluindo qualquer tipo de manifestação de intenção comunicativa, como
por exemplo, a linguagem animal e todas as formas que o próprio ser
humano utiliza para comunicar e expressar idéias e sentimentos além da
expressão lingüística (expressões corporais, mímica, gestos, etc).
Linguas de sinais – São línguas que são utilizadas pelas comunidades
surdas. As línguas de sinais apresentam as propriedades específicas das
línguas naturais, sendo, portanto, reconhecidas enquanto línguas pela
Lingüística. As línguas de sinais são visuais-espaciais captando as
experiências visuais das pessoas surdas.
Lingua brasileira de sinais – A lingua brasileira de sinais é a língua
utilizada pelas comunidades surdas brasileiras.
Lingüística -É a ciência da linguagem humana.
LIBRAS – É uma das siglas para referir a língua brasileira de sinais:
Língua BRAsileira de Sinais. Esta sigla é difundida pela Federação Nacional
de Educação e Integração de Surdos – FENEIS.

LSB – É outra sigla para referir-se à língua brasileira de sinais: Língua de
Sinais Brasileira. Esta sigla segue os padrões internacionais de
denominação das línguas de sinais.
Lingua fonte -É a lingua que o intérprete ouve ou vê para, a partir dela,
fazer a tradução e interpretação para a outra língua (a língua alvo).
Lingua alvo -É a lingua na qual será feita a tradução ou interpretação.
Modalidades das línguas – oral-auditiva, visual-espacial, gráfica-visual
- As línguas apresentam diferentes modalidades. Uma língua falada é
oral-auditiva, ou seja, utiliza a audição e a articulação através do
aparelho vocal para compreender e produzir os sons que formam as
palavras dessas línguas. Uma língua sinalizada é visual-espacial, ou seja,
utiliza a visão e o espaço para compreender e produzir os sinais que
formam as palavras nessas línguas. Tanto uma língua falada, como uma
língua sinalizada, podem ter representações numa modalidade gráfica-
visual, ou seja, podem ter uma representação escrita.
Modalidades de tradução-interpretação – lingua brasileira de
sinais para português oral, sinais para escrita, português para a língua de
sinais oral, escrita para sinais – Uma tradução sempre envolve uma língua
escrita. Assim, poder-se-á ter uma tradução de uma língua de sinais para a
língua escrita de uma língua falada, da língua escrita de sinais para a
língua falada, da escrita da língua falada para a língua de sinais, da língua
de sinais para a escrita da língua falada, da escrita da língua de sinais para
a escrita da língua falada e da escrita da língua falada para a escrita da
língua de sinais. A interpretação sempre envolve as línguas faladas/
sinalizadas, ou seja, nas modalidades orais-auditivas e visuais-espaciais.
Assim, poder-se-á ter a interpretação da língua de sinais para a língua
falada e vice-versa, da língua falada para a língua de sinais. Vale destacar
que o termo tradutor é usado de forma mais generalizada e inclui o termo
interpretação.

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